12.6.07

Santos da casa: «santo JÁ»

O papa B16 abriu mão do código de direito canónico para permitir a célere beatificação e posterior canonização deste homem, passando por cima de uma série de processos que durante séculos foram necessários para fazer de alguém santo. Há já dezenas de pessoas espalhadas pelo mundo prontas para garantir que assistiram a "milagres" seus.

Outros feitos:

- em relação à SIDA, portou-se como um verdadeiro criminoso. Não se limitou a aconselhar a castidade como propalam os seus sequazes, foi cúmplice da mentira que atribuía ao preservativo «minúsculos orifícios» permeáveis ao vírus e promoveu a informação sobre a sua inutilidade em países africanos onde o flagelo está sem controlo.

- muitas violações de crianças nos EUA ter-se-íam evitado se em vez de um silêncio cúmplice, exigindo discrição à igreja católica sobre os casos de pedofilia dos padres americanos, apesar das repetidas chamadas de atenção que lhe foram feitas, tivesse mandado comunicar os casos às autoridades dos EUA.

- admirador de Josemaria Escrivá de Balaguer, a quem fez santo, esse admirador de Franco que mandou assassinar milhares de adversários políticos mas nunca faltou à missa e à eucaristia.

- não se limitou a apoiar as ditaduras fascistas da América do Sul, empenhou-se em derrubar os governos democráticos de esquerda numa cegueira insana de quem confundiu sempre as ditaduras estalinistas com o socialismo democrático resultante de eleições livres e submetido à alternância democrática.

- em 23 de Fevereiro de 1981, quando o grotesco tenente-coronel Tejero Molina tentou restabelecer a ditadura, deu-se a coincidência de estar reunida a Conferência Episcopal Espanhola. Nem ele, nem os bispos nem o seu núncio apostólico condenaram a tentativa de golpe de Estado, limitaram-se a recomendar aos espanhóis o piedoso exercício da oração.

- considerou Pinochet e a amantíssima esposa como «casal cristão exemplar», ministrou-lhes embevecido a eucaristia e apareceu à varanda do Palácio La Moneda com o frio torcionário para ser ovacionado pelos devotos, sem se lembrar de que, naquele palácio, se tinha suicidado Salvador Allende, presidente eleito, deposto pelo golpista seu amigo.

- intercedeu pela libertação de Pinochet quando foi detido em Londres, por crimes contra a humanidade, por ordem do juiz Baltasar Garzon, usando argumentos jurídicos. Pediu a sua libertação, alegando que os crimes foram cometidos quando gozava da imunidade de Chefe de Estado. No entanto nunca censurou a sentença islâmica que condenou à morte Salmon Rushdie ou intercedeu por ele.

- - negou-se a extraditar o arcebispo Marcinkus, presidente do Instituto de Obras Religiosas e arguido na falência do banco Ambrosiano.

- manifestou-se contra o Estado casar homossexuais, sejam eles católicos ou não e em cerimónia não religiosa e acreditava que os homossexuais casados vivem em pecado.

- no seu conceito de "diálogo ecuménico", nunca procurou reconhecer a verdade dos outros, apenas tentou hegemonizar a sua. Nunca defendeu a liberdade de crer e de não crer, só quis o regresso a um tempo em que era perigoso não acreditar.

- discriminou as mulheres, silenciou teólogos, foi autoritário e absolutista, procurou impor os seus preconceitos à humanidade, combateu a laicidade e passou o pontificado em fanático proselitismo, defendendo sempre os seus bispos mais fanáticos e ostracizando os mais liberais.


A urgência da sua canonização é um desejo irreprimível dos numerosos órfãos que deixou. De facto, ele bem merece. Canonizou gente muito pior.

De quem falamos?

5 comentários:

Ruka disse...

João Paulo II

vilas disse...

algo me diz que o defundo n é das tuas pessoas preferidas LOL :)

carlopod disse...

ponto para ruka.
por estranho que te pareça, vilas, prefiro o rei morto ao rei posto.

carlopod disse...

ah, esqueci-me de retribuir com idêntico entusiasmo: ruka, ruka, ruka! viva ruka! ruka imparável!!!!
pronto. :-)

Ruka disse...

Acho melhor pararmos com isso antes que as más linguas começem a dizer que temos um caso...


LOL